quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Breve história da Igreja de S. Pedro

A Igreja de São Pedro foi construída no último quartel do século XVI, com o consentimento da Ordem de Santiago. Germesindo Silva[1] refere que “ (…) em 1584 já tinha sido adquirida pedra para a construção e havia um mordomo para as obras. Mas o alvará de licença (…) só foi concedido em 22 de Maio de 1585.

A Irmandade do Apostolo São Pedro foi instituída em 1606 e manteve um papel importante na manutenção da Igreja até, pelo menos, 1926. Nesta data, em resposta à solicitação da Câmara Municipal para a sua cedência, a Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais, responde que esta é propriedade da Irmandade.

Após oito anos, no dia 6 de Junho de 1934, a Comissão Administrativa da Câmara Municipal adquire este edifício e as casas anexas por 5.000$00 (cinco mil escudos) à Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais, com base no Decreto N.º 23919 de 28 de Maio do mesmo ano.

Em 1846 a Irmandade ajustou com o mestre pintor Joaquim José Roque, a pintura dos seguintes espaços e elementos da igreja: o interior e o exterior, o tecto e a capela-mor, as janelas e varões de ferro, as portas dos armários da sacristia e onde se prendia a toalha do lavatório, as seis colunas que estavam no frontispício do altar, a tarja (ornato ou cercadura no contorno de uma pintura ou desenho) por cima da tribuna, a cruz grande, o dístico e o púlpito (existe noticia que teria na base uma escultura em pedra representando um leão) e as suas pilastras.

Em 19 de Julho de 1943, foram entregues ao Pároco de Grândola – Cónego Ernesto António Nogueira – os seguintes bens que haviam pertencido a esta Igreja: dois diademas (um de prata e outro de chumbo estanhado); duas chaves de prata de S. Pedro; uma patena em prata; um cálice em metal amarelo; uma saia preta de imagem; uma capa de asperges de imagem; duas pernas de sanefas vermelhas usadas; um pano de rosto de missal; uma estola e um manípulo roxos; um véu de cálice encarnado: um lençol de pano branco e uma cobertura do Senhor Morto; cinco bocados de galão amarelo.

Em princípio foi na segunda década do século XX, que a Igreja deixou de ter funções religiosas para passar a estabelecimento de ensino, o que terá acontecido, provavelmente até à década de quarenta.

Uma grandolense que frequentou este estabelecimento tendo ali estudado no início da década de 20 do mesmo século (Ivone Douwens) recorda-se de alguns pormenores que ainda persistiam na altura. No altar-mor encontravam-se as imagens de São Pedro e do Cristo Morto (numa urna de vidro). Existiam, igualmente, algumas sepulturas e até meio da parede havia azulejos policromos (branco, amarelo e azul). A sacristia servia na época de carpintaria, e nela estava uma arca contendo algumas imagens religiosas degradadas.

A Banda da Sociedade Musical Operária Grandolense ensaiou neste edifício durante algum tempo.

Neste espaço foi, também, instalado um serviço de fornecimento de refeições aos pobres, ficando conhecido como a “Sopa dos Pobres”. A partir de 1974 a Comissão Administrativa que geria a Câmara encerrou este serviço.
 Posteriormente, até à década de 90, foi usado como armazém, altura em que se construíram as oficinas camarárias.



Bibliografia e fontes

ALMEIDA, Manuel Costa Gaio Tavares, Roteiro Setecentista da Vila de Grândola, Subsídios para uma Monografia III, Santiago do Cacém, Gráfica de Santiago do Cacém, 1998.

SILVA, Germesindo, O Mestre de Sant´Iago D. Jorge, e as visitações ao lugar da Grandolla, Lisboa, Ramos, Afonso & Moita, Lda.,1991.

Fundo do Arquivo Municipal de Grândola

Recolhas orais







[1] SILVA, Germesindo – Proposta de Classificação.